Amor de Inverno

  

Sob as cisternas de maio um amor vinga

Latas d’água, canecos, baldes de cordão pendurado

Bacias aparando uma paixão costurada

Pra Deuzinha se deitar com ela

Esfria os pés depois da caminhada.

Escora um vaso de flor estendida

Prega o Sol no meio dia do pasto incandescente

Rega o pomar de sonhos

Deixa a romã acesa

Mata a sede dos bichos

Aceita um afago de coxas

Um desdizer de suspiros

Um pote de mel de seus seios...

Deuzinha e seu (a) mar possível.

 

Elina Carvalho.