Tancredo Neves

    Tancredo NevesTancredo de Almeida Neves, nasceu em São João Del Rei, Minas Gerais, 4 de Março de 1910 e morreu em  São Paulo, 21 de Abril de 1985. Iniciou a carreira política em 1933, ao filiar-se ao Partido Progressista; em 1934, é eleito vereador em sua cidade natal.

 Durante o Estado Novo se afastou um pouco da política, sendo preso duas vezes (1937 e 1939). Com o fim da ditadura voltou à política, eleito deputado estadual em 1947, deputado federal em 1950 e 1953. Durante o governo constitucional de Getúlio Vargas e o governo de Juscelino Kubitschek foi ministro da Justiça (era bacharel em Direito por formação) e de Negócios Interiores.

      Articulou uma solução de compromisso com a instalação do parlamentarismo em 1961 (após a renúncia do presidente Jânio Quadros), evitando que João Goulart fosse impedido de assumir a presidência por golpe militar.

Tancredo Neves assumiu o cargo de primeiro-ministro. No entanto, o golpe veio em 1964, e a partir daí Tancredo passou a militar na oposição pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1978 foi eleito senador, e a seguir governador de Minas Gerais (1983).

 Em 1985 foi realizada a primeira eleição (indireta, via Colégio eleitoral) para presidente desde o golpe militar de 1964. Tancredo Neves foi indicado por uma coligação de partidos, com apoio de Ulysses Guimarães (a figura mais importante no período de redemocratização do país). Tendo como candidato a vice na mesma chapa José Sarney, venceu o pleito em 15 de janeiro de 1985, por 480 votos contra 180 de Paulo Maluf. A articulação que elegeu a dupla Tancredo e Sarney é tida ainda hoje como uma das mais complexas e bem-sucedidas na história política do país. Conta-se que Tancredo vinha silenciosamente trabalhando pela sua candidatura desde 1983. No ano seguinte, com a derrota da emenda das Diretas Já, rejeitada pelo Congresso, ele foi granjeando simpatias. Convenceu Ulysses Guimarães a não concorrer no Colégio Eleitoral, conquistou o apoio de Antônio Carlos Magalhães e montou a Aliança Liberal, que possibilitou a união do PMDB com dissidentes do PDS (sucessor da Arena) e deu corpo ao PFL. Com Sarney de vice, derrotou Paulo Maluf na última eleição indireta do país.

 Tancredo havia se submetido a uma agenda de campanha bastante extenuante, e vinha sofrendo fortes dores no estômago, durante os dias que antecederam a posse. Aconselhado por médicos a procurar tratamento, teria dito: "Façam de mim o que quiserem — depois da posse." Tancredo temia que os militares mais rigorosos se recusassem a passar o poder ao vice-presidente. Porém não resistiu, e na véspera da posse (14 de março de 1985), foi internado em Brasília com dores abdominais. José Sarney assumiu a presidência aguardando o restabelecimento de Tancredo, que a partir de então, já em São Paulo, sofreu sete cirurgias. No entanto, em 21 de abril (mesma data da morte do mártir nacional Tiradentes), Tancredo faleceu vítima de infecção generalizada, aos 75 anos.

 Houve grande comoção nacional, especialmente por que Tancredo Neves seria o primeiro presidente civil após o Golpe de 64. O Brasil, que acompanhara tenso e comovido a agonia do político mineiro, promoveu um dos maiores funerais da história nacional. Calculou-se na época que, entre São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e São João Del Rey, mais de 2 milhões de pessoas viram passar o esquife. "Coração de Estudante", uma música do cantor mineiro Milton Nascimento, marcou o episódio na memória nacional. O epitáfio que o presidente eleito previra certa vez numa roda de amigos, em conversa no Senado, não chegou a ser gravado na lápide, em São João Del Rey: “Aqui jaz, muito a contragosto, Tancredo de Almeida Neves”.

Vinte anos após, o corpo médico revelou que não divulgou o laudo correto da doença, que não teria sido diverticulite porém um tumor. Embora benigno o anúncio de um tumor poderia ser interpretado como câncer, causando efeitos imprevisíveis no andamento político no momento.

 Em seu lugar, assumiu a presidência da República o vice José Sarney, encerrando o período de governos militares chamado de Anos de chumbo iniciado com o Golpe de 1964.

    Mesmo sem nunca ter tomado posse, Tancredo Neves é, por força de lei, listado entre os ex-presidentes do Brasil. Pela lei 7.465 de 21 de Abril de 1986, "o cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais".

 Tancredo Neves foi casado com Risoleta Neves, com quem teve 3 filhos. Aécio Neves, governador de Minas Gerais eleito em 2002, é seu neto.