Leandro Gomes

Leandro Gomes

Leandro Gomes de Barros, nasceu na fazenda melancia, em Pombal, Paraíba, a 19 de Novembro de 1865 e, faleceu no Recife, a 04 de Março de 1918. Foi o maior poeta popular Brasileiro. Começou a versejar por volta de 1889, tendo produzido várias centenas de folhetos, que permanecem até hoje em sucessivas reedições. De Pombal, Leandro mudou-se para a vila do Teixeira, PB, e ali permaneceu até a idade de 15 anos, transferindo-se depois para o Estado de Pernambuco, residindo em Vitória de Santo Antão, Jaboatão e Recife, onde fixou residência. Após seu falecimento, sua produção literária ficou provisoriamente com seu genro Pedro Batista, em Guarabira, PB, e posteriormente, em 1921, foi vendida pela viúva do poeta, Venustiniana Eulália de Barros, em Jaboatão, PE, ao poeta e editor João Martins de Ataíde, o qual, em seu folheto A Pranteada morte de Leandro Gomes escreveu:

 

 

Poeta como Leandro,

 

O Brasil inda não criou,

 

Por ser um dos escritores,

 

Que mais livros registrou,

 

canções não se sabe quantas,

 

Foram seiscentas e tantas,

 

Ás obras que publicou.

 

 

 

A seguir, uma pequena amostra do trabalho deste que, mereceu rasgados elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, na sua crônica; Leandro o Poeta, publicada no Jornal do Brasil em 9 de Setembro de 1976.

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade, na sua crônica Leandro, o Poeta, publicada no Jornal do Brasil de 9 de Setembro de 1976, acentua: “ Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, de um total de 173, elegeram por maioria relativa  Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros.  Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só podia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista Fon-Fon!, mas, vastamente popular no norte do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor do ‘ ouvir estrelas”. (...) E aqui desfaço a perplexidade quealgum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver  defrontados os nomes de Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros.

 

      Um é Poeta erudito, produto de cultura urbana e burguesia média;  o outro, planta sertaneja vicejando a margem do cangaço, da seca e da pobreza. Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebia com flores. Este espalhava seus versos em folhetos de Cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou de pés no chão..”  E, continua Drummond mostrando o alcance dessa literatura singular, que por sua penetração,  representa significativa parcela do nosso patrimônio cultural: “ A poesia parnasiana de Bilac, bela e suntuosa, correspondia a uma zona limitada de bem estar social, bebia inspiração européia e, mesmo quando se debruçava sobre temas brasileiros, só era captada pela elite que comandava o sistema de poder político, econômico e mundano.  A de Leandro, pobre de rítimos, isenta de lavores musicais, sem apoio livresco, era a que tocava milhares de brasileiros humildes, ainda mais simples que o poeta, e necessitados de ver convertida e sublimada em canto a mesquinharia da vida. (...)” E conclui: “ Não foi  príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”.