Napoleão Bonaparte

 Ao voltar da Itália, Napoleão recebeu a missão de atacar a Inglaterra. Procurou cortar as comunicações inglesas com a Índia, atacando o Egito. Embora o Egito pertencesse aos turcos, era caminho obrigatório dos ingleses para a Índia. Em 1798, Napoleão partiu da França levando um exército de trinta mil homens e uma comissão de sábios e cientistas.

 

   Desembarcou em Alexandria e teve sucesso imediato. Apesar disso, o almirante inglês Nelson, destruiu sua frota em Abukir, no delta do Nilo. Napoleão e suas tropas foram obrigados a ficar no Egito durante mais de um ano. Durante esse tempo, percorreu a região junto com os sábios franceses. Um destes, Champollion, decifraria os Hieróglifos egípcios em 1822.

 

     Enquanto Napoleão percorria o Egito, a Inglaterra formou uma segunda coalizão contra a França revolucionária e tropas austríacas reocuparam o norte da Itália. Em 1799, Napoleão abandonou suas tropas e voltou em segredo para a França, às vésperas do golpe de Estado do 18 Brumário. Em 1801, às tropas francesas no Egito se renderam.

 

    Ao chegar, Napoleão foi aclamado pelo povo francês. A situação na França não era muito tranqüila: o Estado estava a beira da falência e a reocupação da Itália pelos austríacos causou um profundo mal estar na população, que deu a vitória aos jacobinos nas eleições. Estes se opunham ao Diretório.

 

    A burguesia francesa aspirava uma paz mais duradoura que lhe permitisse desenvolver seus negócios. Napoleão era o homem indicado para alcançar esta paz. O avanço dos jacobinos inquietava os setores conservadores, liderados pelo astuto abade Sieyés.

 

    Nos dias 9 e 10 de Novembro de 1799 ( 18 e 19 Brumário, segundo o calendário da revolucionário) com o apoio do exército, Napoleão e Sieyés, dissolveram a Assembléia e implantaram uma nova constituição, aprovada pela população. O governo ficou nas mãos de um triunvirato; três cônsules liderados por Napoleão.

 

   A queda do Diretório marcou o fim do ciclo revolucionário e o início da consolidação dos princípios da revolução nas instituições francesas. Napoleão, o primeiro cônsul, iniciou uma intensa atividade para consolidar seu poder pessoal internamente e, alcançar a paz no plano internacional.A constituição do ano VIII foi centralista: dava plenos poderes ao primeiro cônsul. O sistema de eleições indiretas garantiu o predomínio da burguesia. Os poderes dados a Napoleão encobriam uma monarquia de fato.

 

 

                                      A segunda coalizão

 

    Após assumir o consulado, Napoleão retomou a luta contra os inimigos da França. Realizou uma segunda campanha na Itália e expulsou os austríacos. A segunda coalizão, composta para Inglaterra, pela Áustria e pela Prússia, chegou ao fim em 1801. No ano seguinte, um plebiscito, outorgou a Napoleão o título de cônsul vitalício.

 

    Durante o consulado, Napoleão reorganizou a França e reformou a máquina administrativa. Pacificou a sociedade francesa: obteve a reconciliação dos partidos políticos decretando uma anistia e permitindo o retorno dos emigrados.

 

    A igreja perdeu definitivamente os bens que haviam sido expropriados durante a evolução e ficou subordinada ao estado.

 

   Napoleão reconstruiu os povoados que foram destruídos durante a revolução. Construiu estradas e pontes, melhorou o serviços de correios e instalou o telégrafo em várias cidades. Reorganizou o sistema educacional francês e, em 1808, criou a Universidade da França. Recuperou as finanças do país: reordenou os impostos e criou o banco da França.

 

   Em 1804, Napoleão criou uma comissão para elaborar um novo código civil. De acordo com o novo código napoleônico, todos os franceses estavam sujeitos às mesmas leis. Os princípios de igualdade e liberdade foram consagrados no código elaborado por Napoleão. Instituiu o casamento civil e o divórcio. As greves foram consideradas ilegais.

 

                                   O Império

 

    Em Maio de 1804, após um novo plebiscito, Napoleão recebeu o título de Imperador. O para Pio VII presidiu a cerimônia de sua coroação como imperador da França, em Paris. Mas, para deixar claro que o Estado não se submetia a igreja, Napoleão colocou a coroa na sua própria cabeça. Com a criação do império, Napoleão centralizou todos os poderes do Estado. Criou uma nova nobreza, fundada no mérito e no talento.

 

                                   A terceira coalizão: o duelo entre França e Inglaterra.

 

      A paz com os estrangeiros não durou muito tempo. Em 1803, recomeçou a guerra contra a Inglaterra. Desta vez, o conflito durou mais de uma década. A Inglaterra organizou sucessivas coalizões para conseguir a derrota definitiva de Napoleão.

 

Dois fatores principais causaram o conflito:

 

1 - A burguesia Inglesa sentia-se ameaçada pela expansão do comércio e da industria francesa.

 

2 - A política imperialista de Napoleão na Europa e nas colônias  rompeu o equilíbrio europeu em favor da França.

 

3 - A Inglaterra contava com importantes recursos para enfrentar o poder francês:

 

3.1 - A industria inglesa era mais desenvolvida do que a francesa.

 

3.2 - Sua posição insular a protegia contra os exércitos franceses.

 

3.3 - Sua marinha de guerra lhe garantia o controle dos mares.

 

3.4 - Os grandes recursos econômicos da Inglaterra lhe permitiriam reunir contra a França os exércitos de outras potências.

 

        Durante a terceira coalizão, a Inglaterra destruiu a frota franco-espanhola na batalha de Trafalgar, em 1805. A batalha naval de Trafalgar, acabou com as esperanças de Napoleão de invadir as ilhas britânicas e, garantiu aos ingleses o domínio do mar durante mais de um século.

 

       No mesmo ano, a França obteve vitórias significativas no continente, redesenhando o mapa da Europa. Após a derrota da Prússia, Napoleão acabou com o sacro império. Em seu lugar criou a confederação do Reno. Na Itália, criou dois reinos, o da Itália e o de Nápoles.

 

   

                                         A quarta coalizão

 

   

      Em 1806, Inglaterra Prússia e Rússia formaram a quarta coalizão contra Napoleão. Os exércitos franceses derrotaram os prussianos e ocuparam a capital, Berlim. No mesmo ano, Napoleão proclamou o bloqueio continental contra a Inglaterra. De acordo com essa proclamação, nenhum navio inglês podia entrar nos portos da França e de seus aliados, ou seja, nos portos de praticamente toda a Europa. A Inglaterra respondeu proclamando o bloqueio marítimo da Europa: os contatos com o mundo colonial cessaram. A Inglaterra tomou as seguintes medidas:

 

       1 - Procurou novos mercados nas colônias.

 

       2 - Intensificou o contrabando com as colônias Ibéricas na América do Sul, visando compensar a perda dos mercados europeus.

 

     Em 1807, as forças russas foram derrotadas na Polônia. Lã, Napoleão criou o ducado de Varsóvia. Toda a Europa aderiu ao Bloqueio continental, menos Portugal, aliado da Inglaterra e o papado.

 

     Ainda em 1807, tropas francesas atravessaram a Espanha e tomaram Portugal. A família Real portuguesa fugiu para o Brasil, amparada pela esquadra inglesa.

 

    Em 1808, tropas francesas tomaram Roma e prenderam o papa.

 

    

                                         Napoleão e a Espanha.

 

         A Espanha participou da primeira coalizão contra a França. Depois disso tornou-se sua aliada constante. A perda da frota em Trafalgar motivou sentimentos antifranceses na população espanhola. Com o pretexto de enviar reforços para Portugal, Napoleão invadiu a Espanha. Em 1808, tropas francesas ocuparam Madri. Aproveitando a disputa pelo trono entre o rei Carlos IV e seu filho, Fernando VII, Napoleão os prendeu na cidade de Bayonne. José, irmão de Napoleão, assumiu o trono da Espanha. A partir de então, vários movimentos populares se opuseram a ocupação francesa. Na América espanhola, a prisão do rei da Espanha, detonou o movimento de independência.

 

     As cidades espanholas resistiram à dominação francesa. A guerra de guerrilhas causou muitas baixas ao exército francês. Em 1812, José Bonaparte teve de abandonar Madri, devido às vitórias do General inglês Wellington na Espanha. A partir de então, a resistência a ocupação francesa foi comandada pelas juntas de governo, instaladas em Sevilha e Cádiz. Em 1810, um conselho de resistência convocou as cortes. Em 1812, as cortes promulgaram a primeira constituição da Espanha.

 

      

                                        A quinta coalizão.

 

 

         Devido a formação de uma nova coalizão entre a Inglaterra e Áustria contra a França, Napoleão foi obrigado a deixar a Espanha. Após derrotar os austríacos, intruduziu os princípios revolucionários e implementou medidas contra o antigo regime nos territórios recém conquistados.

 

 Aboliu a servidão;

Instituiu os princípios de igualdade perante a lei e os impostos.

Suprimiu os privilégios existentes.

introduziu um novo código legislativo, baseado no código francês.

Nacionalizou os bens da igreja.

Reformou a administração do Estado segundo o modelo francês.

Mas, o imenso império conquistado por Napoleão tinha um ponto fraco: a Espanha e a Rússia.

 

                      

   A campanha na Rússia.

 

       No final de 1810, a Rússia resolveu furar o bloqueio continental. Napoleão decidiu empreender uma campanha contra a Rússia. Os preparativos para a campanha demoraram um ano. Napoleão reuniu um exército de seiscentos mil soldados aliados. Em Junho de 1812, o exército multinacional de Napoleão entrou na Rússia.

 

     Ao invés de enfrentar o invasor, os russos abandonavam suas terras e incendiavam tudo. Em Setembro de 1812, o exército de Napoleão chegou até Moscou exausto, mas venceu a batalha. Entretanto, Moscou fora incendiada pelos russos e o exército vencedor ficou sem provisões. No início do inverno começou a retirada do exército napoleônico. O frio e o ataque da cavalaria de cossacos quase dizimaram as tropas de Napoleão. Apenas cinqüenta mil soldados voltaram da campanha contra a Rússia.

 

 

                                     A sexta coalizão  ( 1813)

 

 

   A derrota de Napoleão na Rússia precipitou uma sublevação na Prússia e na Áustria que formaram uma nova coalizão com a Inglaterra. Napoleão derrotou os exércitos da Rússia e da Prússia. Enquanto isso, os exércitos franceses estavam sendo derrotados na península ibérica por forças espanholas e e inglesas.

 

         Após a batalha de Leipzig, em 1813, os exércitos de Napoleão abandonaram os principados alemães. A rebelião contra o império se estendeu até a Itália, Bélgica e Holanda. No início de 1814, os exércitos da sexta coalizão invadiram a França a partir da Espanha e do Reno.

 

      Em Março de 1814, os aliados da Inglaterra tomaram Paris. Napoleão foi destituído pelo senado francês abdicando em favor de seu filho, Napoleão II. Os aliados não aceitaram que seu filho assumisse  o trono. Assim, Luiz XVIII assumiu o trono da França restaurando a dinastia Bourbon.

 

       Napoleão foi enviado para a ilha de Elba, onde permaneceu exilado.

 

            

                                 O congresso de Viena

 

 

 Em Novembro de 1814, reis e enviados reais se reuniram no congresso de Viena para desenhar o mapa da Europa pós-napoleônica.

O congresso foi presidido pelo Chanceler austríaco Metternich, defensor do absolutismo. Dois princípios básicos orientaram as resoluções do congresso:

 

    - a restauração das dinastias destituídas pela revolução e consideradas "legitimas"

    - a restauração do equilíbrio entre as grandes potências, evitando a hegemonia de qualquer uma delas.

 

  A divisão territorial pactuada em Viena, não satisfez a nenhuma das potências participantes: os vencedores cuidaram de seus interesses políticos mais imediatos. Trocaram territórios entre si para garantir o "equilíbrio" europeu.

 

  - A Inglaterra obteve as melhores bases navais.

  - A Rússia anexou a Finlândia e a Polônia.

  - Áustria anexou a região dos Bálcãs.

 - Os principados alemães formaram a confederação alemã com 38 Estados. A Prússia e a Áustria     participavam dessa             confederação.

  - A península Itálica continuou abrigando vários principados e repúblicas aristocráticas. A  Áustria ocupou o norte.

  - A Bélgica uniu-se a Holanda e formou o reino dos paises baixos.

  - A Suécia e a Noruega se uniram.

  - A Turquia manteve o controle dos povos cristãos do sudeste da Europa.

   

        As fronteiras dos países foram alteradas de acordo com os interesses de seus "legítimos soberanos", ou seja, dos monarcas absolutistas. O problema das nacionalidades e da unidade da Alemanha e da Itália se aprofundou durante todo o século XIX, ocasionando conflitos violentos.

 

 

                                   A volta de Napoleão.

 

       Tendo em vista os rumos tomados pelo congresso de Viena, Napoleão decidiu abandonar seu exílio na ilha de Elba. Em 1815, desembarcou em Cannes, porto francês, e se dirigiu a Paris. O rei mandou uma guarnição de soldados para prendê-lo, mas estes aderiram a Napoleão. Luiz XVIII fugiu para a Bélgica.

  

                                   A sétima coalizão.

 

 

           Novamente no poder, Napoleão informou ao congresso de Viena que desejava governar em paz, respeitando as fronteiras traçadas. As potências que haviam derrotado Napoleão anteriormente não aceitaram essa proposta e formaram uma nova coalizão. A sétima coalizão foi formada pela Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia. Napoleão foi derrotado na Batalha de Waterloo.

Desta vez, foi mantido prisioneiro na ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico, onde morreu em 1821.