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Lendas Brasileiras

As lendas brasileiras

  As lendas são histórias populares, que vão passando de geração em geração através de narrativas orais ou escritas.

 A Erva-Mate

  Diz a lenda que toda tribo tinha partido para a guerra. Mas um homem, por causa de sua idade avançada, teve que ficar. E ele ficou chorando no alto de    uma colina, vendo os jovens guerreiros partirem. Ele se lembrava de quando ele era um valente guerreiro e como, agora, estava fraco e envelhecido. Sua única alegria era sua filha Iari. Ela já tinha recusado muitos pedidos de casamento para ficar ao lado do velho pai. Um dia, chegou ao rancho do velho       guarani  um viageiro estranho: com roupas coloridas e olhos lembrando o azul do céu longínquo. O velho logo percebeu que o homem vinha de muito longe e recebeu o viageiro com amizade. Iari foi buscar os melhores frutos da floresta e o mel mais doce das abelhas. O velho índio, com os olhos cerrados para melhor lembrar histórias de um mundo afastado no tempo, recordava episódios de sua mocidade. Tudo era feito para que as horas que o estrangeiro passasse naquele rancho fossem agradáveis. No outro dia, com o sol raiando, o viajante já estava pronto para partir. Dirigiu-se então ao velho índio e disse: - Você é uma pessoa muito boa. E a sua bondade merece ser recompensada. Eu sou um mensageiro de Tupã, espírito do bem. Pede o que quiser e eu lhe darei. - Nada mereço pelo que fiz, senhor! - respondeu o guarani. Mas gostaria de um companheiro para a minha velhice, para que minha filha Iari pudesse casar e formar sua própria família. É só o que eu peço: um amigo fiel que fique comigo e me dê ânimo. O mensageiro de Tupã sorriu. Em suas mãos brilhava uma planta repleta de folhagens verdes. O viageiro entregou a planta ao velho e disse: - Deixa crescer esta planta e bebe de suas folhas que você vai ter o companheiro que tanto deseja. Esta erva traz em si a força de Tupã e trará conforto para todos os homens de tua tribo. E Iari será a protetora das florestas. As caminhadas de guerra serão menos cansativas e os dias de descanso mais felizes. E desde então, Caá-Iari é senhora dos ervais e deusa dos ervateiros.

 A Mandioca

 Em uma certa tribo indígena a filha do cacique ficou grávida. Quando o cacique soube deste fato ficou muito triste, pois sonhava que a sua filha iria se casar com um forte e ilustre guerreiro, no entanto, ela estava esperando um filho de um desconhecido. À noite, o cacique sonhou que um homem branco aparecia em sua frente e dizia para que ele não ficasse triste, pois sua filha não o enganará, ela continuava sendo pura. A partir deste dia o cacique voltou a ser alegre e a tratar bem sua filha. Algumas luas se passaram e a índia deu a luz a uma linda menina de pele muito branca e delicada, que recebeu o nome de MANI. Mani era uma criança muito inteligente e alegre, sendo muito querida por todos da tribo. Um dia, em uma manhã ensolarada, Mani não acordou cedo como de costume. Sua mãe foi acordá-la e a encontrou morta. A índia desesperada resolveu enterrá-la dentro da maloca. Todos os dias a cova de Mani era regada pelas lágrimas saudosas de sua mãe. Um dia quando a mãe de Mani foi até a cova para regá-la novamente com suas lágrimas, percebeu que uma bela planta havia nascido naquele local. Era uma planta totalmente diferente das demais e desconhecida de todos os índios da floresta. A mãe de Mani começou a cuidar desta plantinha com todo carinho, até que um dia percebeu que a terra à sua volta apresentava rachaduras. A índia imaginou que sua filha estava voltando á vida e, cheia de esperanças, começou a cavar a terra. Em lugar de sua querida filhinha encontrou raízes muito grossas, brancas como o leite, que vieram a tornar-se o alimento principal de todas as tribos indígenas. Em sua homenagem deram o nome de MANDIOCA, que quer dizer Casa de Mani.

 MuiraQuitã

  Antigamente havia uma tribo de mulheres guerreiras, as ICAMIABAS, que não tinham marido e não deixavam ninguém se aproximar de sua taba. Manejavam o arco e a flecha com uma perícia extraordinária. Parece que Iací , a lua, as protegia. Uma vez por ano recebiam em sua taba os guerreiros Guacaris, como se fossem seus maridos. Se nascesse uma criança masculina era entregue aos guerreiros para criá-los, se fosse uma menina ficavam com ela. Naquele dia especial, pouco antes da meia - noite, quando a lua estava quase a pino, dirigiam-se em procissão para o lago, levando nos ombros potes cheios de perfumes que derramavam na água para o banho purificador. À meia- noite mergulhavam no lago e traziam um barro verde, dando formas variadas: de sapo, peixe, tartaruga e outros animais. Mas é a forma de sapo a mais representada por ser a mais original. Elas davam aos Guacaris, que traziam pendurados em seu pescoço, enfiados numa trança de cabelos das noivas, como um amuleto. Até hoje acredita-se que o Muiraquitã traz felicidades a quem o possui, sendo, portanto, considerado como um amuleto de sorte.

 Os Diamantes

 Segundo a lenda, um casal de índios vivia, juntamente com sua tribo, à beira de um rio da região Centro-Oeste. Ele, um guerreiro poderoso e valente, chamava-se Itagibá, que significa "braço forte". Ela, uma jovem e bela moça, tinha o nome de Potira, que quer dizer "flor". Viviam os dois muito felizes, quando sua tribo foi atacada por outros selvagens da vizinhança. Começou a guerra e Itagibá teve que acompanhar os outros guerreiros que iam lutar contra o inimigo. Quando se despediram, Potira não deixou cair uma só lágrima, mas seguiu, com o olhar muito triste, o marido que se afastava em sua canoa que descia o rio. Todos os dias, Potira, com muita saudade, ia para a margem do rio, esperar o esposo. Passou-se muito tempo. Quando os guerreiros da tribo regressaram à sua taba, Itagibá não estava entre eles. Potira soube, então, que seu marido morreu lutando bravamente. Ao receber essa notícia, a jovem índia chorou muito. E passou o resto da vida a chorar. Tupã, o deus dos indíos, ficou com dó e transformou as lágrimas de Potira em diamantes, que se misturaram com a areia do rio. É por isso, dizem, que os diamantes são encontrados entre os cascalhos e areias do rio. Os diamantes são as lágrimas de saudade e de amor da índia Potira.

 O Fogo

  Esta lenda e representada por Minarã, índio que guardava somente para si os segredos do fogo e somente havia uma lareira em toda a terra conhecida pelos Caiangangues. A luz e o calor vinham só do sol. Não havia recurso contra o frio e os alimentos eram comidos crus. Sua cabana era constantemente vigiada e sua filha, Iaravi, era quem mantinha o fogo sempre aceso. Os Caiangangues, porém, não desistiam de saber o segredo do fogo também. Necessitavam do fogo para sua sobrevivência e não se conformavam com a atitude egoísta de Minarã. Foi assim que Fiietó, inteligente e astuto jovem da tribo, decidiu tirar de Miranã o segredo do fogo. Transformado em gralha branca- Xakxó- partiu voando para o local da cabana e viu que Iaravi banhava-se na águas do Gôio-Xopin, rio largo e translúcido. Fiietó lançou-se no rio e deixou-se levar pela correnteza disfarçado de gralha. A jovem índia fez o que Fiietó previa. Pegou a gralha e levou-a para dentro da cabana e colocou-a junto à lareira. Quando secou suas penas, a gralha pegou uma brasa e fugiu. Minarã, sabendo do ocorrido, perseguiu a gralha que se escondeu numa toca entre as pedras. Minarã chuçou a toca até que viu a vara ficar manchada de sangue. Pensando que havia matado Xakxó, regressou contente à sua cabana. De fato, a vara ficou manchada de sangue porque Fiietó, esperto, esmurrara seu próprio nariz para enganar o índio egoísta. Saindo de seu esconderijo, a gralha voou até um pinheiro. Ali reacendeu a brasa quase extinta e com ela incendiou um ramo de sapé levando-o também no bico. Mas com o vento, o ramo incendiou-se cada vez mais e, pesado, caiu do bico de Xakxó. Ao cair atingiu o campo e propagou-se para as matas e florestas distantes. Veio a noite e tudo continuou claro como o dia. Foi assim dias e dias. De todas as partes vieram índios que nunca tinham visto tamanho espetáculo e cada um levou brasas e tições para suas casas.

 O Peixe-Boi

  Para explicar a origem do Peixe-Boi os índios contavam uma lenda que dizia que em uma certa tribo indígena, habitante do vale do Rio Solimões, no Amazonas, foi realizada uma grande festa da moça nova e pela ação de Curumi. O pajé mandou que a moça nova e o Curumi mergulhassem nas águas do rio. Quando mergulharam o pajé jogou, em cima de cada um deles, uma tala de canarana. Quando voltaram à tona já haviam se transformado em PEIXE-BOI.

A partir deste casal nasceram todos os outros peixes-boi. É por esse motivo que eles se alimentam de canarana.

 Os Rios

 A origem dos rios Xingu e Amazonas também faz parte do imaginário indígena. Dizem que antigamente era tudo seco. Juruna morava dentro do mato e não tinha água nem rio. Juriti era a dona da água, que a guardava em três tambores.

Os filhos de Cinaã estavam com sede e foram pedir água para o passarinho, que não deu e disse: "Seu pai é Pajé muito grande, porque não dá água para vocês?" Aí voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou porque estavam chorando e eles contaram.

Cinaã disse para eles não irem mais lá que era perigoso, tinha peixe dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos) , que ficou com as pernas fora da boca.

Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu. Continuaram até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água lá no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e disseram que haviam quebrado os tambores e que teriam água por toda a vida para beber.

 Tamba-Taja

  Na tribo Macuxi havia um índio forte e muito inteligente. Um dia ele se apaixonou por uma bela índia de sua aldeia. Casaram-se logo depois e viviam muito felizes, até que um dia a índia ficou gravemente doente e paralítica. O índio Macuxi, para não se separar de sua amada, teceu uma tipóia e amarrou a índia à sua costa, levando-a para todos os lugares em que andava. Certo dia, porém, o índio sentiu que sua carga estava mais pesada que o normal e, qual não foi sua tristeza, quando desamarrou a tipóia e constatou que a sua esposa tão querida estava morta. O índio foi à floresta e cavou um buraco à beira de um igarapé. Enterrou-se junto com a índia, pois para ele não havia mais razão para continuar vivendo. Algumas luas se passaram. Chegou a lua cheia e naquele mesmo local começou a brotar na terra uma graciosa planta, espécie totalmente diferente e desconhecida de todos os índios Macuxis. Era a TAMBA-TAJÁ, planta de folhas triangulares, de cor verde escura, trazendo em seu verso uma outra folha de tamanho reduzido, cujo formato se assemelha ao órgão genital feminino. A união das duas folhas simboliza o grande amor existente entre o casal da tribo Macuxi. O caboclo da Amazônia costuma cultivar esta curiosa planta, atribuindo a ela poderes místicos. Se, por exemplo, em uma determinada casa a planta crescer viçosa com folhas exuberantes, trazendo no seu verso a folha menor, é sinal que existe muito amor naquela casa. Mas se nas folhas grandes não existirem as pequeninas, não há amor naquele lar. Também se a planta apresenta mais de uma folhinha em seu verso, acredita-se então que existe infidelidade entre o casal. De qualquer modo, vale a pena cultivar em casa um pezinho de TAMBA-TAJÁ.

 Diz a lenda que uma linda jovem da cidade de Anan tinha como diversão predileta fazer penar duras paixões em numerosos admiradores. Por um sorriso de Hoan-Lan, era este o seu nome, o jovem Kien-Su tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado com infinita paciência as mais lindas pegas de jade. Depois de adornar-se com todos os presentes, a ingrata Hoan-Lan riu-se do rapaz. Desesperado, Kien-Su acabou com a própria vida, jogando-se no Rio Vermelho. Assim foi com vários pretendentes, como o pintor Nzuyen-Ba, que penetrou selva adentro, Ma-Da, que se envenenou e Cunz-Lie, que enlouqueceu. Todos por terem sido desprezados por Hoan-Lan. Um certo dia, o poderoso deus das cinco flechas decidiu castigar a maldade da bela mulher. O castigo escolhido foi fazer com que ela se apaixonasse perdidamente pelo belo Mun-Say. E assim aconteceu: em seu leito de nácar e sedas bordadas, Hoan-Lan desesperava-se com a indiferença de Mun-Say, que sempre respondia: - Não me interessas, rapariga. És como todas as outras, não serve nem para atar as fitas da sandália da mulher que amo. Perturbada, Hoan-Lan foi procurar o deus da montanha de Tan-Vien, no meio de uma noite escura. Ao chegar junto ao trono de ônix do poderoso gênio, ela prostrou-se e implorou: - Cura-me pois sofro horrorosamente. Amo Mun-Say e ele me despreza. - É justo o castigo, respondeu o gênio, porque tens feito o mesmo aos teus apaixonados. Vai-te daqui. Nada conseguirá. Na saída do templo, Hoan-Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra. - Formosa jovem, disse a bruxa, sei que és muito desgraçada. Queres vingar-te de Mun-Say? Vende-me tua alma e juro-te que mesmo que nunca te ame, Mun-Say não amará outra mulher. Hoan-Lan aceitou o contrato. A bruxa fez um feitiço com uma folha de palmeira e enterrou-a. Pronunciou então umas palavras desconhecidas e desapareceu. Um dia, vendo de longe seu amado Mun-Say, Hoan-Lan correu para ele e, quando se preparava para abraçá-lo, o jovem transformou-se numa árvore de ébano. Nesse momento, apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, disse a Hoan-Lan. - Dessa maneira, o teu amado, embora nunca te ame, jamais será de outra mulher. - Bruxa infame, exclamou a jovem, que fizeste ao meu adorado? Devolva-me ou mate-me. - Contratos são contratos, replicou a bruxa. Cumpri o que prometi. Tua alma me pertence. E, soltando uma última gargalhada, desapareceu. Hoan-Lan caiu chorando ao pé da árvore: "Perdoa-me, Mun-Say. Tenha para mim uma só palavra de amor, de indulgência, de compaixão. Não vês como me arrasto a teus pés, como sofro?" Mas a árvore nada respondia. Ela ficou parada ali durante muito tempo. Um dia, passou por lá um gênio que se compadeceu de sua dor. Acercando-se dela, colocou um dedo em sua testa e disse: - Mulher, procedeste muito mal, mas tua dor purificou tua alma. Estás perdoada e vai deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar tua alma, vou converter-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, esquisita e requintada, revelando o que foi tua vida maldosa. Quem vir tuas pétalas facilmente adivinhará o que foi teu espírito caprichoso, volúvel e cruel, a tua preocupação constante com a elegância. Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás de tua seiva, parasita do teu amado. Enquanto o gênio falava, a túnica rósea de Hoan-Lan ia empalidecendo e tomando uma delicada cor lilás. Os olhos da jovem brilhavam como pontos de ouro e suas carnes tomaram a tonalidade de nácar. Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore, numa derradeira súplica. E foi assim que apareceu a primeira orquídea no mundo.

 A Lua

  Naquele tempo não existiam estrelas ou lua. E a noite era tão escura que todos se encolhiam dentro de casa com medo dela. Na tribo, só uma índia não tinha medo. Ela era uma índia clara e muito bonita, mas era diferente das outras. E por ser diferente, nenhum índio queria namorar com ela, e as índias não conversavam com ela. Sentindo-se só, começou a andar pelas noites. Todos ficavam surpresos com aquilo, e quando ela voltava, dizia a todos que não havia perigo. Mas havia outra índia, feia e escura, que ficou com inveja da índia clara. E por isso, tentou sair uma noite também. Mas não conseguiu enxergar na escuridão e tropeçou nas pedras, cortou os pés nos gravetos e se assustou com os morcegos. Cheia de raiva, foi conversar com a cascavel. - Cascavel, quero que morda o calcanhar da índia branca para que ela fique escura, feia e velha, e que ninguém mais goste dela. Na mesma hora, a cascavel se pôs a esperar a índia clara. Quando ela passou, deu o bote. Mas a índia tinha os pés calçados com duas conchas e os dentes da cobra se quebraram. A cobra começou a amaldiçoá-la e a índia perguntou porque ia fazer aquilo com ela. A cascavel respondeu: - Porque a índia escura mandou. Ela não gosta de você e quer que você fique escura, feia e velha. A índia branca ficou muito triste com tudo aquilo. Não poderia viver com pessoas que não gostassem dela. E não agüentava mais ser diferente dos outros índios, tão branca e sem medo do escuro. Então, fez uma linda escada de cipós e pediu para que sua amiga coruja a amarasse no céu. Subiu tanto, que ao chegar ao céu estava exausta. Então dormiu numa nuvem e se transformou num belíssim astro redondo e iluminado. Era a lua. A índia escura olhou para ela e ficou cega. Foi se esconder com a cascavel em um buraco. E os índios adoraram a lua, que iluminava suas noites, e sonharam em construir outra escada para poder ir ao céu encontrar a bela índia.

 O Açai

 Há muito tempo atrás, quando ainda não existia a cidade de Belém, vivia neste local uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos eram escassos, tornava-se muito difícil conseguir comida para todos os índios da tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças que nascessem seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional de sua tribo. Até que um dia a filha do cacique, chamada IAÇÃ, deu à luz uma bonita menina, que também teve de ser sacrificada. IAÇÃ ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades de sua filhinha. Ficou vários dias enclausurada em sua tenda e pediu à Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças. Certa noite de lua IAÇÃ ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua linda filhinha sorridente, ao pé de uma esbelta palmeira. Inicialmente ficou estática, mas logo depois, lançou-se em direção à filha, abraçando - a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu. IAÇÃ, inconsolável, chorou muito até desfalecer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos negros fitavam o alto da palmeira, que estava carregada de frutinhos escuros. Itaki então mandou que apanhassem os frutos em alguidar de madeira, obtendo um vinho avermelhado que batizou de AÇAÍ, em homenagem a sua filha (IAÇÃ invertido). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu sua ordem de sacrificar as crianças.

 O guaraná

 É representada por uma criança que uma tribo de índios da Amazônia que acreditava era conhecida por ter muitos índios fortes e corajosos, por sempre ter muita caça e uma plantação maravilhosa. Os índios da tribo eram muito felizes, e acreditavam que toda aquela sorte era por causa do jovem filho do cacique. A criança era cercada de cuidados e sempre tinha gente vigiando para que nenhum mal lhe acontecesse. Mas um dia, os guerreiros se descuidaram e o menino saiu para brincar na floresta. Índios de uma tribo inimiga, com muita inveja da sorte dos índios da outra aldeia, aproveitaram a situação e chamaram o espírito do mal, Jurupaí. - Jurupaí, espírito do mal! Nós precisamos de sua ajuda. - E o que vocês querem de mim? - Queremos que acabe com a felicidade daquela tribo inimiga. Mate o indiozinho filho do cacique! Jurupaí, que adorava fazer o mal, transformou-se em cobra, procurou o menino e o picou. Os índios encontraram-no morto, e choraram muito sua perda. Tristes, chemaram por Tupã, espírito do bem. Tupã escutou as lamentações e veio em socorro da tribo. - Vocês me chamaram e eu vim. Não se entristeçam por causa da morte do indiozinho. Plantem seus olhos na terra fofa e reguem com suas lágrimas. Assim, o menino, e a sorte que ele trazia, continuarão com vocês! Assim os índios fizeram. Em poucos dias, nasceu um plantinha travessa, que logo cresceu e deu frutos. E seus frutos pareciam os olhos do pequeno menino. Aquela frutinha continuou dando sorte para a tribo, fortalecendo os fracos, conservando os jovens e rejuvenescendo os velhos. Era o guaraná.

Os Saltos do Iguaçu

 

Os índios Caiangangues, que habitavam as margens do rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por Mboi, um deus que tinha a forma de uma serpente e era filho de Tupã, o deus supremo. O cacique da tribo, o guerreiro Igobi, tinha uma filha de nome Naipi, a índia mais bonita da tribo. Era costume entre esses índios consagrar a jovem mais bonita da tribo ao deus serpente, passando ela a viver a serviço de seu culto. Naipi foi escolhida para servir ao seu deus. Mas havia entre os Caiangangues um forte guerreiro, jovem e valente, chamado Tarobá, que se apaixonou por Naipi. Um dia foi anunciada a festa da consagração da jovem índia. Enquanto o pajé e os caciques bebiam cauim, bebida feita de milho fermentado, e os guerreiros dançavam, Tarobá raptou a formosa Naipi. Fugiu com ela rio abaixo numa canoa que era rapidamente arrastada pela correnteza das águas. Quando Mboi, o deus serpente, ficou sabendo que Naipi tinha desaparecido, ficou muito bravo e se escondeu debaixo da terra. Isso fez com que a terra rachasse e naquele ponto se abriu uma extensa e terrível catarata. Na queda, de oitenta metros de altura, a pequena canoa desapareceu para sempre. Naipi foi transformada em uma das grandes rochas centrais das cachoeiras. Tarobá virou uma árvore, a beira do abismo, inclinada sobre as gargantas do rio. Bem debaixo de seus pés encontra-se a entrada da gruta onde o vingativo deus espreita para sempre as duas vítimas. Assim os indígenas explicavam a origem dos Saltos do Iguaçu.

 O Urubu e a Tartaruga

 Diz a lenda que Nossa Senhora deu uma festa no céu e convidou todos os bichos. Mas, o transporte dos convidados era uma grande dificuldade. Os peixes podiam subir pelo arco-íris. As borboletas, os besouros e outros insetos seriam levados pelo vento. As aves só tinham que bater as asas, chegar até as nuvens e entrar no céu. Mas, com os outros animais, a história era outra. Houve, no reino da bicharada, uma grande discussão. Por fim ficou combinado que grupos de aves diferentes ficariam responsáveis pelo transporte de animais como: porcos-do-mato, veados, onças, pacas, cutias, lontras e tamanduás. Foram centenas de aves cumprindo sua tarefa: porcos, tatus, capivaras, além de outros bichos, eram levados para poderem chegar ao céu. De repente, a tartaruga gritou, com toda sua força: - E eu?? Quem vai me levar para o céu? Ninguém se ofereceu para levá-la. Todos diziam que a tartaruga era muito grande, pesada e desajeitada. O urubu, que passava por ali, bateu as asas e todo oferecido informou: - Eu levo essa tartaruga imensa pra cima !! Em meio à surpresa geral, disse: - Amiga, suba em minhas costas. Mas que disse que a tartaruga conseguia? Foi preciso um mutirão de bichos para fazer a pesadona equilibrar-se nas costas peladas do urubu. Quando conseguiram, o urubu abriu as asas que mais pareciam um velho guarda-chuva e partiu para o céu. Voou, voou e voou... Mas tartaruga é um bicho difícil de levar! Ora escorregava para a direita, ora para a esquerda. Meia hora depois, suando em bica, o urubu já tinha perdido a esperança de levar a "comadre" para o céu. Então, deu um golpe de asa e a pobre tartaruga despencou céu abaixo, furou as nuvens e foi esborrachar-se contra as pedras, espatifando toda a carapaça. O urubu, lá de cima, sacudiu os ombros: - Onde já se viu um animal tão desajeitado ir à festa no céu! E riu muito, sacudindo o pescoço pelado. Nossa Senhora que tinha visto tudo, não gostou nadinha. Resolveu castigar o urubu, que foi tão covarde. Condenou-o a só se alimentar de resto de animais mortos.

Porque os Galos cantam de madrugada Certo dia, sua majestade o Leão, deu uma grande festa, convidando todos os bichos. A festa era a mais bonita que se teve notícia até aquela data. Chegou o dia marcado, nenhum dos bichos queria faltar ao convite, muito menos perder a hora.

Quando amanheceu, o rei dos animais já tinha a casa cheia. Uma multidão! Nenhum dos convidados faltou, a não ser o Galo. Coitado, ele se esqueceu completamente do convite!

O leão percebeu sua ausência e ficou muito bravo. Imediatamente mandou os gambás buscá-lo. Os gambás entraram no galinheiro e fizeram o maior barulho para o galo acordar. Um dos gambás falou:

- Viemos te buscar por ordem do rei. O Galo coçou a cabeça.

- Ah! É verdade! Esqueci da festa e perdi a hora! - Por isso mesmo você será castigado.

- Perdão! Não me levem para lá! O que o Leão vai fazer comigo?

- Ainda pergunta? Ele vai te comer! Os gambás ameaçaram tanto que o Galo foi se encontrar com o rei. Chegando ao palácio do Leão, tremendo de medo, o galo foi recebido pelo rei, que soltou um urro de raiva: - Galo de uma figa! Por que você não veio na minha festa? Você vai pagar caro por isso!

- Não foi por querer, mas eu esqueci! Perdão!

- Tudo bem, seu castigo ia ser a morte. Mas já que você se humilhou, daqui para a frente, como castigo do seu esquecimento, não vai dormir depois da meia noite. Só dormirá após o pôr-do-sol e acordará logo depois. À meia noite você vai ter que cantar e quando amanhecer para mostrar que está alerta. Se, por acaso, não cantar nos horários combinados, você e sua família correrão o risco de ser comidos por outros animais ferozes. E o galo para não se esquecer de que tinha que cantar à meia-noite, cantou também ao meio dia. Dessa data em diante, passou a cumprir sua obrigação, cantando pela madrugada afora. E, quando canta, fecha os olhinhos, fazendo força para não esquecer de que tem que cantar outra vez, e canta de dia para se lembrar que tem cantar de madrugada.

  A Besta Fera

  É representado por um ser metade homem metade cavalo que corre pelas ruas de lugares remotos em noites sem lua. Sua presença é pavorosa. Ninguém jamais se atreve a abrir as portas quando ele passa em desembalada carreira dando uivos e gritos horripilantes. O barulho dos seus cascos no chão, costuma deixar o mais valente dos homens de cabelo em pé. Por onde ele passa, no seu encalço seguem dezenas de cachorros fazendo um barulho infernal. O animal que se atreve a chegar mais perto é açoitado sem piedade. É um mito muito popular no Nordeste

 Cabra Cabriola

  O mito do Bicho papão que ataca as crianças travessas, é bem antigo e remonta ao tempo da Idade Média na Europa. Na América Central, o Gulén Gulén Bo, é um negro que também assusta e come as crianças mal comportadas, e tem as mesmas características da nossa Cabriola.

No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra. Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, foram encontradas versões deste mito nos estados do Ceará e Pará.

A figura da Cabra Cabriola, também é mencionada na Espanha e Portugal. Possivelmente veio para o Brasil no tempo da colonização, e com a urbanização das cidades, ganhou folêgo. Também conhecido como Cabriola, Papão de Meninos, Bicho Papão, entre outros, a Cabra Cabriola, era uma espécie de Cabra, meio bicho, meio monstro. Sua lenda em Pernambuco, é do fim do século XIX e início do seculo XX.

Era uma Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando ia chegando:

 

Eu sou a Cabra Cabriola

Que como meninos aos pares

Também comerei a vós

Uns carochinhos de nada...

 

As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto.

Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora, era rezar o Padre Nosso e fazer o Sinal da Cruz.

 Curupira ou Caipora

 Personagem do folclore brasileiro, representado por um anão de cabeleira vermelha e dentes verdes. Embora sua descrição apareça com variações conforme a região, o curupira é sempre caracterizado pela posição invertida de seus pés, com os calcanhares para a frente, e por sua incrível força física. É considerado um protetor das plantas e animais das florestas e por isso costuma enganar os caçadores e viajantes, fazendo-os perder o rumo certo, assobiando ou dando sinais falsos.

 Lobisomem

 É um homem comum, mas nas noites de sexta-feira, quando é lua cheia, transforma-se numa espécie de lobo que invade galinheiros, devora cães e suga o sangue das crianças que encontra pelo caminho. Diz a lenda nordestina que se um casal tem sete filhos homens, o último vira Lobisomem ou, se forem sete mulheres e o oitavo for um homem, este será o Lobisomem. No Sul, acreditam que o filho gerado da união ilícita entre parentes é que vira Lobisomem e no Centro-Oeste, diz a crendice que se trata do indivíduo atacado de amarelão.

 Mapinguari

 É um fantástico ser da mata. Muito temido entre os caçadores e caboclos do interior do Estado, o Mapinguari costuma andar pela floresta emitindo gritos semelhantes aos desses homens. Mas se algum deles se aproxima, Mapinguari ataca e devora o caçador começando pela cabeça. Raramente conseguem sobreviver e, quando isso acontece, geralmente ficam aleijados ou com marcas horríveis pelo corpo.

Mapinguari tem o corpo todo coberto de pelos, com a aparência de um enorme macaco. Possui um único olho na testa e uma boca gigantesca que se estende até a barriga.

 

Matinta Pereira

  Mito que ocorre no Sul, Centro e Norte e Nordeste do Brasil. Para alguns, é uma variação da lenda do Saci. Também conhecido como Saia-Dela e Matinta. A Matinta Perêra é uma ave de vida misteriosa e cujo assobio nunca se sabe de onde vem. Dizem que ela é o Saci Pererê em uma de suas formas. Também assume a forma de uma velha vestida de preto, com o rosto parcialmente coberto. Prefere sair nas noites escuras, sem lua. Quando vê alguma pessoa sozinha, ela dá um assobio ou grito estridente, cujo som lembra a palavra: "Matinta Perêra..."

Para os índios Tupinambás esta ave, era a mensageira das coisas do outro mundo, e que trazia notícias dos parentes mortos. Era chamada de Matintaperera.

Para se descobrir quem é a Matinta Perêra, a pessoa ao ouvir o seu grito ou assobio deve convidá-la para vir à sua casa pela manhã para tomar café.

No dia seguinte, a primeira pessoa que chegar pedindo café ou fumo é a Matinta Perêra. Acredita-se que ela, possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas. Na região Norte, a Matinta Perêra, seria um pequeno índio, com uma perna só e com um gorro vermelho na cabeça, semelhante ao Saci, que só anda acompanhado por uma velha muito feia.

Esta é provavelmente uma adaptação da lenda do Saci. Inclusive o pássaro no qual ela se transforma chamada Matiapererê, que além de ser preta tem o costume de andar pulando numa perna só, é a mesma que entre os Tupinambás, com o tempo se transformou no moleque Saci.

 Mula-sem-cabeça

 Ente marcante personagem do folclore brasileiro, com várias histórias duvidosas sobre sua origem. Em geral, diz-se que a mula-sem-cabeça galopa sem parar, lança fogo pelas narinas e pela boca, relincha estridentemente e surge sempre à noite, nas sextas-feiras. Para que desapareça, é necessário arrancar-lhe o freio ou tirar-lhe sangue.

 O Boto

 Diz a lenda que o boto, peixe encontrado nos rios da Amazônia, se transforma em um belo e elegante rapaz durante a noite, quando sai das águas à conquista das moças. Elas não resistem à sua beleza e simpatia e caem de amores por ele. O Boto também é considerado protetor das mulheres, pois quando ocorre algum naufrágio em uma embarcação em que o boto esteja por perto, ele salva a vida das mesmas empurrando-as para as margens dos rios. As mulheres são conquistadas pelo boto às margens dos rios, quando vão tomar banho ou mesmo nas festas realizadas nas cidades próximas aos rios. Os Botos vão aos bailes e dançam alegremente com elas, que logo se envolvem com seus galanteios e não desconfiam de nada. Se apaixonam e engravidam deste rapaz. É por esta razão que ao Boto é atribuída a paternidade de todos os filhos de mães solteiras.

 O Papa Figo

 Personagem do folclore brasileiro, representado por um mendigo sujo, maltrapilho e com um saco às costas que costuma atrair crianças solitárias nas saídas das escolas, parques, e na rua, para depois lhes comer o fígado. Possui grande orelhas sempre escondidas, que dizem ser uma doença que só pode ser curada quando ele come o fígado de uma criança. Considerado uma verdadeira aberração da natureza sendo muito temido pelo interior do país e nos lugares mais afastados e que apesar da aparência decadente, o Papa Figo é na verdade, uma figura respeitada e muito rica que sofre de uma terrível maldição. De acordo com a tradição, após comer o fígado da criança, eles costumam deixar dentro da barriga da vítima, uma grande quantia em dinheiro para a família e para o enterro.

  Romãozinho

  Os primeiros relatos do mito são do distrito de Boa Sorte, município de Pedro Afonso, em Goiás, e data do século XX. A lenda é conhecida no leste Bahia, em toda Goiás, parte do Mato Grosso e também na fronteira do Maranhão com Goiás. Alguns estudiosos dizem que o mito do Saci-pererê, deu origem a essa lenda. Também conhecido como Fogo Fátuo e Corpo-Sêco, diz a lenda que um menino filho de lavrador, e já nasceu vadio e malcriado. Adorava maltratar os animais e destruir plantas, sua maldade já era aparente.

Um dia, sua mãe mandou-o levar o almoço do pai que estava num roçado trabalhando. Ele foi, de má vontade é claro.

No meio do caminho, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, e levou para o pai. Quando o velho viu o monte de ossos ao invés de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.

Romãozinho, ruim como era, querendo se vingar da mãe, que tinha ficado em casa lavando roupa, disse:

- Foi isso que me deram... Acho que minha mãe comeu a galinha com um homem vai lá quando o senhor não tá em casa, aí mandaram os ossos...

Louco de raiva, acreditando no menino, largou a enxada e o serviço, voltou para casa, puxou a peixeira e matou a mulher.

Morrendo a velha amaldiçoou o filho que estava rindo:

- Não morrerás nunca. Não conhecerás céu ou inferno nem descansarás, enquanto existir um único ser vivo na face da terra.

O marido morreu de arrependimento. Romãozinho sumiu, rindo ainda.

Desde então, o moleque que nunca cresce, anda pelas estradas, fazendo o que não presta; quebra telhas a pedradas, assombra gente, tira choco das galinhas. É pequeno, pretinho como o Saci, vive rindo, e é ruim.

Não morrerá nunca enquanto existir um humano na terra, e como levantou falso testemunho contra a própria mãe, nem no inferno poderá entrar. Há outras versões que dizem que a mãe do menino, fiava algodão no alpendre da casa, quando o marido chegou por trás dela e a matou.

O menino, também vira uma tocha de fogo que fica indo e vindo pelos caminhos desertos. Alguns dizem que ele é o próprio Corpo-Sêco, isto é, alma de gente tão ruim que nem o céu nem o inferno o deixaram entrar, por isso vaga pelo mundo assustando as pessoas.

 Saci-pererê

O saci é uma entidade muito popular do folclore brasileiro. Trata-se de um negrinho de um perna só que fuma cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos. Em muitas regiões do Brasil, o saci é considerado figura maléfica; em outras, aparece como figura alegre e brincalhona, divertindo-se com animais e pessoas, criando dificuldades domésticas ou assustando viajantes noturnos com seus persistentes e misteriosos assobios. O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII.

  Sereia

 A maioria dos povos possuem lendas envolvendo as sereias, seres mitológicos de natureza feminina e maléfica, que habitam mares e lagos atraindo os navegantes para a morte, por sua beleza ou por seu canto. No Brasil, a sereia é conhecida como Iara, nome de uma entidade tupi, também chamada de mãe-d’água. Metade mulher, metade peixe, Iara canta para atrair os pescadores, que morrem afogados, querendo acompanhá-la ao fundo do rio.

 Uirapuru

 Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela, pediu à Tupã que o transformasse em um pássaro. Tupã transformou - o em um pássaro vermelho telha, que à noite cantava para sua amada. Porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru voou para a floresta e o cacique se perdeu. À noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre, esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.

 Vitória-Régia

 Diz a lenda, que a vitória-régia nasceu de uma linda índia que se atirou nas águas do rio Amazonas. A índia era apaixonada pela lua e não se cansava de admirar seu reflexo nas águas . Até que um dia resolveu se unir à imagem refletida da lua e pulou no rio. A índia se transformou na vitória-régia, uma planta aquática originária da Amazônia e do Mato Grosso, que possui uma bela flor que só se abre à noite, como se esperasse a hora de admirar a lua.          

                              Bicho papão

 O bicho-papão é uma figura fictícia mundialmente conhecida. É uma das maneiras mais tradicionais que os pais ou responsáveis utilizam para colocar medo em uma criança, no sentido de associar esse monstro fictício à contradição ou desobediência da criança em relação à ordem ou conselho do adulto. Desde a época das Cruzadas, a imagem de um ser assustador já era utilizada para gerar medo nas crianças. Os muçulmanos projetavam esta figura no rei Ricardo, Coração de Leão, afirmando que caso as crianças não se comportassem da forma esperada, seriam levadas escravas pelo melek-ric (bicho-papão): “Porta-te bem senão o melek-ric vem buscar-te”. A imagem do bicho-papão possui variações de acordo com a região. Segundo a tradição popular, o bicho-papão se esconde no quarto das crianças mal educadas, nos armários, nas gavetas e debaixo da cama para assustá-las no meio da noite. Outro tipo de bicho-papão surge nas noites sem luar e coloca as crianças mentirosas em um saco pra fazer sabão. Quando uma criança faz algo errado, ela deve pedir desculpas, caso contrário, segundo a lenda, receberá uma visita do bicho-papão.

 Diabinho da Garrafa

 O Diabinho da Garrafa também é conhecido como Famaliá, Cramulhão, Capeta da Garrafa, entre outros nomes, este ser é fruto de um pacto que as pessoas afirmam que se pode fazer com o diabo, este pacto consiste na maioria das vezes de uma troca, a pessoa pede riqueza em troca dá sua alma ao diabo. Depois de feito o pacto a pessoa tem que conseguir um ovo que dele nascerá um diabinho de 15 cm à aproximadamente 20 cm, mas não se trata de um simples ovo de galinha, e sim um ovo especial, fecundado pelo próprio diabo. O Diabinho da Garrafa tem as seguintes características: Nasce de um ovo (em algumas Regiões do Brasil acredita-se que ele pode nascer de uma galinha fecundada pelo diabo), em outras  Regiões acreditam que ele nasce de um ovo colocado não por galinha e sim por um galo, este ovo seria do tamanho de um ovo de codorna; para conseguir tal ovo, a pessoa deve procurá-lo durante o período da quaresma , e na primeira sexta feira após conseguir o ovo, a pessoa vai até uma encruzilhada , a meia noite ,com o ovo debaixo do braço esquerdo,após passar o horário retorna para casa e deita-se na cama. No fim de 40 dias aproximadamente, o ovo é chocado e nascerá o diabinho; de posse do diabinho, a pessoa coloca-o logo na garrafa e fecha bem fechado, com o passar dos anos o diabinho enriquece o seu dono, e no final da vida leva a pessoa para o inferno.

 Negro D'Agua

Conta a lenda que o Negro D'água ou Nego D'água vive em diversos rios. Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, o Negro D'água derruba a canoa dos pescadores, se eles se negarem de dar um peixe. Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e a jogam para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada. Esta é a História bastante comum entre pessoas ribeirinhas, principalmente na Região Centro-Oeste do Brasil, muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto. Segundo a Lenda do Negro D'Água, ele costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio. Não se há evidências de como nasceu esta Lenda, o que se sabe é que o Negro D'Água só habita os rios e raramente sai dele, seu objetivo seria como amedrontar as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a barco, etc. Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele.

 Cabeça de Cuia

A lenda do Cabeça de  Cuia trata-se da história de Crispim, um jovem garoto que morava nas margens do rio Parnaíba e de família muito pobre. Conta a lenda que certo dia, chegando para almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne na sua casa frequentemente. Nesse dia ele se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, atirou o osso contra ela, atingindo-a na cabeça e matando-a. Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ficar vagando no rio e com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria. Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio. Outros também asseguram que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres. O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria.

João-de-Barro

 

Contam os índios que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro.

Segundo a lenda,  há muito tempo, numa tribo do sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza. Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento.

O pai dela então perguntou: 
- Que provas podes dar de sua força para pretender a mão da moça mais formosa da tribo? 
- As provas do meu amor! - respondeu o jovem Jaebé. 
O velho gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido, então disse: 
- O último pretendente de minha fila falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia. 
- Pois eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei.

Toda a tribo se admirou com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Então, enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram dia e noite vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. A jovem apaixonada chorava e implorava à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo foi passando e certa manhã, a filha pediu ao pai: 
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.

E o velho respondeu: 
- Ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.

Esperou então até a última hora do novo dia, então ordenou: 
- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.

Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e tinha cheiro de perfume de amêndoas. Todos se admiraram e ficaram mais admirados ainda quando o jovem, ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro enquanto seu corpo, aos poucos, se transformava num corpo de pássaro!

E foi naquele exato  momento que os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em um pássaro. E, então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta onde desapareceram para sempre.

Podemos constatar a prova do grande amor que uniu esses dois jovens no cuidado com que o joão-de-barro constrói sua casa e protege os filhotes. Os homens admiram o pássaro joão-de-barro porque se lembram da força de Jaebé, uma força que nasceu do amor e foi maior que a morte.