Danças Folcloricas

Danças folclóricas  Festas e tradições

 As danças folclóricas evoluíram de várias maneiras a partir de antigos rituais mágicos e religiosos. No Brasil, as danças folclóricas resultaram da fusão das culturas portuguesa, negra e indígena.

                                                                                            Batuque

                                                                                                                                                                                                                                          O Batuque é uma dança de origem africana, do ritual da procriação. Foi severamente proibida na época colonial pelos padres. Dança muito popular em 

algumas cidades do interior de São Paulo, nas festas do Divino Espírito Santo, ou nas festas juninas. O batuque é dançado em terreiro ou praça pública. Uma fileira de homens fica ao lado dos tocadores. As mulheres ficam a uns 15 metros de distância. Então, começa a dança, começam as umbigadas. Cada homem, dançando, dá três umbigadas numa mulher.Os músicos tocam. Um batuqueiro "modista" faz a poesia, os versos.Há o solo e, em seguida, o coro é feito por todos que estão batucando.

                                                               Catira

         A Catira é executada originalmente apenas por homens, embora hoje muitas mulheres, principalmente as mais jovens também pratiquem.Em alguns municípios, a catira é parte integrante da Folia de Santos Reis, porém nada impede que seja destacada da manifestação, para ser cantada e dançada em outros períodos do ano. As cantorias são um tipo de moda de viola entoadas, geralmente, por dois violeiros. A temática enfocada pode ser relacionada ao dia-a-dia, trabalho, amores, saudades, lugares, etc.

A dança, muito chamativa devido ao seu vigor e sincronicidade, compõe-se de palmateios e sapateios ritmados que os catireiros executam, em duas fileiras (uma em frente à outra, formando pares). Comum na região Sudeste do Brasil.

                                                                                                           Çairé

           O Çairé é uma manifestação folclórica e religiosa encontrada na ilha de Alter-do-Chão, a 30 quilômetros de Santarém, no oeste do Pará. Atualmente acontece no mês de setembro. A festa atrai milhares de turistas que, durante três dias, cantam, dançam e participam de rituais religiosos e profanos, resultantes da miscigenação cultural entre índios e portugueses.

               Consta que a festa foi criada pelos índios como forma de homenagear os portugueses que colonizaram o médio e o baixo Amazonas. Sua origem está no fato de que os colonizadores que aportavam em nossas terras exibiam seus escudos. Os índios então faziam o seu "ÇAIRÉ", como foi chamado o símbolo que é carregado nas procissões, imitando o escudo usado pelos portugueses. O escudo dos índios era feito de cipó recoberto de algodão e outros adornos, enfeitado de tiras de várias cores e rosetas de pano colorido.

                                                                                         Dança do Carimbó

            Criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas 

tribos, como verdadeiros semi-deuses. Inicialmente, segundo tudo indica, era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambás começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que , de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas. Não é à toa que a "Dança do Carimbó" apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas, como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente.

                                                                                    Fandango

         Dança rápida e sapateada, fortemente ritmada, acompanhada em geral de guitarra, castanholas ou acordeão. Originária da Espanha, e comum na América espanhola, adquiriu feição própria em Portugal e no Brasil, onde o nome se aplica a uma série de danças folclóricas rurais, com diferentes coreografias.

                                                                                                      Lundu

       O "Lundu" é uma dança de origem africana trazida para o Brasil pelos escravos. A sensualidade dos movimentos já levou a Côrte e o Vaticano a proibirem a dança no século passado. No Brasil o "Lundu", assim como o "Maxixe" (a dança excomungada pelo Papa), foi proibido em todo Brasil por causa das deturpações sofridas em nosso país. Mas, mesmo às escondidas, o "Lundu" foi ressurgindo, mais comportado, principalmente em três Estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e na Ilha do Marajó, no Pará. A dança simboliza um convite que os homens fazem às mulheres "para um encontro de amor sexual". O "Lundu", considerado ao lado do "Maxixe ", uma dança altamente sensual, se desenvolve com movimentos ondulares de grande volúpia. No início as mulheres se negam a acompanhar os homens mas, depois de grande insistência, eles terminam conquistando as mulheres, com as quais saem do salão dando a idéia do encontro final.

                                                                                Marabaixo

             Dança do Amapá. Os negros preservam o Marabaixo (mar a baixo), dança que se assemelha ao arrastar dos pés presos pelas correntes da escravidão. No canto cadenciada aparecem os lamentos do cotidiano e saudades da África. O Marabaixo ocorre nas principais comunidades negras, como Mazagão Velho, Curiaú e Igarapé do Lago, além dos bairros do Laguinho e do antigo bairro da Favela em Macapá. Essas comunidades também desenvolvem o Batuque, ritmo tirado de tambores artesanais e instrumentos de percussão feitos com madeira e sementes.

                                                                                                Maracatu

      

                                       Grupo carnavalesco, de origem negra, que desfila em Pernambuco, Ceará e outros estados do nordeste brasileiro. Os integrantes do maracatu percorrem as ruas, cantando e dançando ao som de percussão, fantasiados de rei, rainha, príncipes, damas, embaixadores, índios e baianas. O termo maracatu também designa a música que acompanha os desfiles.

 

                                             Marujada

        Trata-se de um auto dramatizado, onde predomina o canto sobre a dança. Há uma origem comum entre a Marujada de Bragança no Pára e a Irmandade de São Benedito. Quando os senhores brancos atenderam ao pedido de seus escravos para a organização de uma Irmandade, foi realizada a primeira festa em louvor a São Benedito. Em sinal de reconhecimento, os negros foram dançar de casa em casa para agradecer a seus benfeitores. A Marujada é constituída quase exclusivamente por mulheres, cabendo a estas a direção e a organização. Os homens são tocadores ou simplesmente acompanhantes. Não há número limitado de marujas, nem tão pouco há papéis a desempenhar. Nem uma só palavra é articulada, falada ou cantada como auto ou como argumentação. Não há dramatização de qualquer feito marítimo. A Marujada de Bragança é estritamente caracterizada pela dança, cujo motivo musical único é o retumbão.

                                                                                     Pastoris

        São danças e cantos que por ocasião das festas de Natal se realizam em homenagem ao Deus Menino. Em geral se desenvolve; defronte de um Presépio ou em tablados, em praça pública. É um rancho alegre de meninas, mocinhas, que ano após ano entoam ao Menino Jesus. As pastorinhas representam autos. Festivo teatro popular, alegre, mas cheio de ensinamentos morais e as músicas são cheias de ternura. Seus personagens são a Mestra, a Contramestra, Diana, a Camponesa, Belo Anjo, o velho e as simples pastoras. Dois partidos vestidos de cores diferentes, dois cordões disputam as honras de louvar Jesus Menino.

                                                                                    Pericom

          Provavelmente originou-se na região do Rio da Prata, na primeira metade do século 19. Dança muito popular no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina, é uma dança de conjunto. Deve ser dançada por grupos de pares (no máximo doze), como a quadrilha. Os dançarinos realizam as evoluções, tempos fortes de cada compasso. É comandada pelo "bastoneiro” ou “marcante” que ordena as Evoluções que quiser. O comando se divide em duas partes: “Agora...” (preparação) e "se foi . ..” (execução) No inicio e no fim da dança os cavalheiros dizem versos.Quando a dança termina, fica apenas um cavalheiro cantando versos com o violeiro mandante.

                                                                                     Ticumbi

         Versão capixaba da Congada.Somente é encontrada no Estado do Espírito Santo. Dança dramática-guerreira, é praticada por negros que se vestem na maioria das vezes de branco. Usam japonas ou batas longas enfeitadas de fitas muito coloridas.

Amarram na cabeça um lenço que lhes dá um "ar de mouro". Sobre o lenço usam flores de diversas cores. Alguns colocam sobre o lenço um chapéu de palha todo enfeitado de fitas e flores.

       Os dois reis se distinguem graças às coroas de papelão pintado de dourado. Capa longa de damasco ou cetim lamê cintilante. Uma faixa "presidencial" que vai do ombro esquerdo até a cintura oposta.

    Na cintura uma espada do "tempo do Império". Os reis São servidos por pajens ou secretários cada qual com a capa da cor do seu reinado. As duas cores escolhidas pelos reis para a sua corte variam. O vermelho quase sempre está presente numa das cortes. e uma cor forte, de grande efeito nos mantos reais. Rei Congo e Rei Bamba são as figuras principais do Ticumbi.

Dois Reis negros lutam para ter o privilégio de realizar sozinho a festa de São Benedito, padroeiro dos negros do Brasil. O rei Bamba é vencido pelo Rei Congo e por este é batizado, com toda a sua corte. Então todos dançam e cantam o Ticumbi.

O Ticumbi tem um intuito nitidamente visível conversão e batismo de pagãos

São muito simples. Usam chocalhos. Apenas uma viola acompanha as cantorias.

Bate Coxa

       Esta dança alagoana, de influência negra, não existe em outros estados brasileiros, atualmente. Em Piaçabuçu é praticada exclusivamente por negros, tanto no passado, como no presente. Os dois disputantes, sem camisa, só de calção, aproximam-se e colocam peito com peito, apoiando-se mais nos ombros. Ambos afastam a coxa o mais que podem e chocam-se num golpe rápido. Depois da batida da coxa direita com a direita, repetem á esquerda chocando bruscamente. A dança prossegue até que um dos dois desista e se de por vencido.

       Se um dos dois levar urna queda, após a batida, é considerado perdedor. Ás vezes combinam ou sorteiam quem vai começar a dança, dando a primeira batida de coxa. E o grupo continua cantando, acompanhado por um tocador de ganzá (reco-reco).

         Capoeira

        Um dos principais elementos da cultura negra no Brasil, a capoeira é dançada ao som do berimbau ou de instrumentos de percussão, como pandeiros, atabaques, ganzás e caxixis. A capoeira, como técnica de ataque e defesa corporal, foi introduzida no Brasil pelos escravos bantos, originários de Angola. Os escravos a praticavam em segredo, simulando uma dança, ao som de cantos rituais e diversos instrumentos. A capoeira possui duas modalidades, a angola e o regional, mas ambas utilizam golpes com os pés, pernas, mãos e cabeça.

          Cateretê

       Dança folclórica brasileira, de origem indígena, acompanhada por violas e executada por duas fileiras de homens (às vezes, as mulheres também participam), que sapateiam, batem palmas, trocam de lugares e andam em círculo. É típica na região sul e nos estados de Goiás e Minas Gerais, sendo também chamada de catira.

         Chula

       Dança-desafio, de origem portuguesa, caracterizada pela disputa. Uma vara de aproximadamente quatro metros de comprimento é colocada no chão e em cada extremidade posta-se um dançarino. Ao som da música ligeira, o dançarino executa uma complicada coreografia que deve ser repetida pelo companheiro.

           Congada

        Dança folclórica brasileira, com elementos originários da África e da península Ibérica. Tambores, caixas, pandeiros, reco-recos, cuícas, triângulos, apitos, chocalhos, sanfonas, violas e violinos são os instrumentos que acompanham os passos da congada. A dança é organizada sempre com base em uma história, com momentos tristes, delicados e cenas de guerra. Os participantes trajam rica e colorida indumentária, representando guerreiros, embaixadores, nobres e fidalgos.

         Dança da Fita

       Comum no Estado de Santa Catarina, a Dança da Fita é desenvolvida da seguinte maneira: é colocado no centro um mastro chamado pau-de-fita de aproximadamente 3m de altura com doze fitas (duas vermelhas, duas verdes, duas amarelas, duas azuis, duas rosas e duas azul marinho). Ao lado do mastro, formam-se duas filas, do lado direito os homens e do esquerdo as mulheres. Na cabeceira das duas filas fica o mestre e num sinal feito através do apito tem início a dança. O primeiro movimento é conhecido como preparação da terra para o plantio da árvore. No segundo movimento os dançadores cruzam as fitas, que significa a escolha da semente. No terceiro movimento inicia-se a semeadura. No quarto já se percebem as tranças formadas em um total de cinco trançados diferentes que simbolizam as raízes. Quando o mastro fica totalmente coberto pelas tranças, os adultos são substituídos pelas crianças que irão realizar a destrança. As crianças simbolizam as folhas da árvore. Quando termina o movimento executado pelas crianças o mastro é transformado simbolicamente em belíssima árvore, sendo este o final da dança.

A Dança da Fita também é conhecida como Baile de Cordon, Carxofa, Magrana e Baile de Gitanas (Portugal), Danza de las Fitas (Cataluña, Espanha). Dança de los Mineros (Peru), Dança de los Matachines (Colômbia), Dança de las Listones (Argentina) e Dança de las Cintas (Venezuela).

    Dança do Siriá

            Uma das manifestações coreográficas mais belas do Pará. Contam os estudiosos que os negros escravos iam para o trabalho na lavoura quase sem alimento algum. Só tinham descanso no final da tarde, quando podiam caçar e pescar. Como a escuridão dificultava a caça na floresta, os negros iam para as praias tentar capturar alguns peixes. A quantidade de peixe, entretanto, não era suficiente para satisfazer a fome de todos. Certa tarde, entretanto, como se fora um verdadeiro milagre, surgiram na praia centenas de siris que se deixavam pescar com a maior facilidade, saciando a fome dos escravos. Como esse fato passou a se repetir todas as tardes, os negros tiveram a idéia de criar uma dança em homenagem ao fato extraordinário. Já que chamavam cafezá para plantação de café, arrozá para plantação de arroz, canaviá para a plantação de cana, passaram a chamar de siriá, para o local onde todas as tardes encontravam os siris com que preparavam seu alimento diário.

         Jongo

       Dança de origem africana, participam homens e mulheres, onde o Canto também tem papel importante. A música serve para facilitar e coordenar os movimentos. Os instrumentos usados são os de percussão. Tambu, candongueiro, biritador (atabaques de couro) e angóia (uma espécie de chocalho). Sobrevive em poucos lugares do Brasil, onde houve maior concentração de população negra escrava. Negros vindos de Angola (África). Uma das mais ricas heranças da cultura negra presente em nosso folclore.

O jongo formou-se nas terras por onde andou o café. Surgiu na Baixada Fluminense, subiu a Mantiqueira. Persiste na zona do Paraíba do Sul, Paraibuna e Paraitinga. Entrou pela Zona da Mata mineira. Lá é conhecida por "caxambu".

      Esse nome é dado também ao principal instrumento, um atabaque grande. Uma dança que aparece em outros Estados brasileiros. Como em Goiás e Espírito Santo. Mas com outras danças e cerimônias.

    Os casais se apresentam, o dançador fica em frente a sua dama. Ela segura saia delicadamente, sem sair do lugar. Com meneios e requebros a mulher acompanha galanteios do cavalheiro. Outros casais se aproximam, dançando. O primeiro par se afasta balançando o corpo, sem dar umbigadas como no batuque paulista.

        Pezinho 

        O gaúcho dança o pezinho com bota e espora chilena, Bombacha, Guaiaca e Faca. O chapéu repousa nas costas. Lenço de seda no pescoço. Este é o traje típico do campeiro. A mulher ("a prenda ") não tinha traje típico para festividades, assim o inventaram: Saia longa, rodada, cheia de babados, tranças e flor no cabelo.

        Samba de Matuto

          Dança de cortejo, sem enredo ou drama, na qual as cantigas dançadas fazem referência a Santos católicos, a espíritos das religiões afro-brasileiras e as do cotidiano. Possui nítida identificação com os terreiros de xangô. Antes de cada apresentação, o mestre acende três pontos de velas para que os orixás permitam o bom andamento do folguedo.

         Xote Bragantino

       O "Xote" (Schotinch) tem sua origem na mais famosa dança folclórica da Escócia na segunda metade do século XIX. Aos poucos foi conquistando a Europa. Na Alemanha ganhou um ritmo valsado pela influência da Valsa Vienense. Na Inglaterra a dança era saltitante. Já na França os passos ganharam 

ritmo semi- clássico, com um andamento um tanto mais lento que o atual. Talvez por causa da indumentária feminina que, naquela época, dificultava os movimentos rápidos. Trazida para o Brasil pelos colonizadores, despertou, desde o início, um grande interesse no povo brasileiro que, por sua vez, também fez seus acréscimos. No Estado do Pará os portugueses cultivavam o chote com bastante entusiasmo em todas as reuniões festivas assistidas de longe pelos escravos africanos. A dança foi aproveitada, de fato, pelos negros em 1798, quando eles fundaram a Irmandade de São Benedito, no município de Bragança, que deu origem à Marujada. Outras danças de origem européia também vieram formar o novo ritmo, mas é no "Xote" que está o maior interesse do povo bragantino nas apresentações públicas da "Marujada". A dança é executada repetidas vezes, valendo acrescentar que até mesmo os jovens bragantinos preferem o "Xote" a qualquer outra dança popular.

                                                                        Siriá

Uma das manifestações coreográficas mais belas do Pará. Contam os estudiosos que os negros escravos iam para o trabalho na lavoura quase sem alimento algum. Só tinham descanso no final da tarde, quando podiam caçar e pescar. Como a escuridão dificultava a caça na floresta, os negros iam para as praias tentar capturar alguns peixes. A quantidade de peixe, entretanto, não era suficiente para satisfazer a fome de todos. Certa tarde, entretanto, como se fora um verdadeiro milagre, surgiram na praia centenas de siris que se deixavam pescar com a maior facilidade, saciando a fome dos escravos. Como esse fato passou a se repetir todas as tardes, os negros tiveram a idéia de criar uma dança em homenagem ao fato extraordinário. Já que chamavam cafezá para plantação de café, arrozá para plantação de arroz, canaviá para a plantação de cana, passaram a chamar de siriá, para o local onde todas as tardes encontravam os siris com que preparavam seu alimento diário.