Segunda, 31 Dezembro 2012 12:28

Benjamim Constant

Benjamim Constant

Benjamin Constant Botelho de Magalhães nasceu em 1836, viveu  a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e Niterói estudou o curso primário na escola de seu pai, ajudado por famílias de amigos, terminou seus estudos secundários no colégio do Mosteiro São Bento, no Rio de Janeiro e aos 16 anos tomou o caminho usual, na época, para os filhos de famílias pobres que desejavam educação de terceiro grau: ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro onde se formou como engenheiro militar em 1858. Desejando continuar sua formação militar, matriculou-se novamente na Escola Militar ainda em 1858 e no ano seguinte passou para a recém criada Escola Central. Nessa última concluiu seus estudos, diplomando-se Doutor em Matemática e Ciências Físicas em 1860.

Como militar esteve na linha de frente na Guerra do Paraguai construindo pontes, trincheiras e fazendo mapas. onde pegou malária e voltou ao Rio de Janeiro para se recuperar da doença que se tornou crônica a qual acabou provocando-lhe uma muito dolorosa morte no ano de 1891, e apesar desse sacrifício à carreira militar, a vocação de Benjamim Constant não era essa, provavelmente inspirado pelo pai, ele sempre quis ser, e foi, um professor que historicamente foi muito importante por várias razões. Por exemplo, sua ação profissional gravita em torno das primeiras instituições brasileiras a ensinarem matemática de nível superior, quais sejam as escolas militares sediadas no Rio de Janeiro.

Ao se converter ao positivismo, tornou-se o seu grande divulgador e líder entre os militares, o que acabou resultando em grandes transformações políticas e educacionais em nosso país, cuja prática positivista caracterizava-se, além de uma postura científica frente aos fenômenos sociais e naturais, por repousar sobre a seguinte trilogia: o amor por princípio, a ordem por base e o progresso da Humanidade como fim. Nem todos entendem a "ordem e progresso" que Benjamim Constant colocou em nossa bandeira republicana. O Positivismo negava a luta de classes, achando que só poderia haver progresso com a harmonia e a irmandade entre as classes sociais, e como conseqüência lógica disso, o Positivismo:

não podia aceitar o regime monárquico

não podia compactuar com a escravidão

Essas idéias eram justo o que precisavam os jovens oficiais do exército brasileiro do final do século passado para nortear suas decisões, num regime imperial em completa decadência. Tendo na Guerra do Paraguai, diante da morte, aprendido que o soldado negro também podia ser herói, não queriam mais prestar-se ao serviço de captura dos escravos fugidos e nem mesmo tolerar a corrupção da Côrte. Queriam, também, deixar de desempenhar o papel secundário e receber os magros salários até então reservados aos membros do exército nacional.

As mortes de Osório ( 1879 ) e Caxias ( 1880 ), monarquistas e detentores da obediência de todo o exército, aliadas com a falta de tacto da côrte para perceber e tratar os anseios acima, levaram a uma crescente indisciplina entre os jovens oficiais do exército: a famosa Questão Militar. E o homem que soube casar os ideais positivistas com os anseios da mocidade militar foi Benjamim Constant, isso ele fêz mais como um "pacificador do que revolucionário; não destruiu, nem subverteu. Pelo contrário, poupou à Pátria da perturbação, desordem e morte. Em meio às espadas desnudas, era o símbolo da concórdia : persuadia, abrandava e dirigia."

Pregava abertamente seu ideal positivista. Não usava de subterfúgios, e no ano de 1889, quando Benjamim Constant já via que seria impossível conter por mais tempo os anseios revolucionários dos jovens oficiais, tentou preparar os ânimos para um conflito não sangrento. É famoso seu discurso onde disse: Está provado que a monarquia no Brasil é incompatível com um regime de liberdade política. Para que a intervenção do Exército se legitime aos olhos da nação e pelo julgamento de nossas próprias consciências é necessário que sua ação se dirija a destruição da monarquia e a proclamação da República, recolhendo-se em seguida aos seus quartéis e entregando o governo ao poder civil, e o desfecho não tardou a ocorrer, pois na madrugada do 15 Novembro, os cadetes da Escola Militar e Escola Superior de Guerra foram à casa de Benjamim Constant pedir que os comandassem em marcha contra o quartel general. No meio do caminho passam a ser acompanhados e chefiados por Deodoro que era o Chefe do Clube Militar e, então, representante dos oficiais graduados do exército, que levantara-se do leito de doente. Chegando ao quartel, Deodoro adianta-se a cavalo e, demonstrando coragem imensa, simplesmente exige continência e ordena aos de dentro que abram o portão central.

Dentro do palácio, o Primeiro Ministro Visconde do Ouro Preto chamou Floriano chefe da tropa do exército e instigou a ataca os rebeldes, então

Floriano respondeu; no Paraguai lutávamos contra inimigos e quem nos cerca é a mocidade militar guiada por seu Mestre, que foi também o meu Mestre. Lá fora, Deodoro tira o boné e agitando-o, de cima do cavalo, grita: Viva a República!

Com a Proclamação da República, Benjamin foi elevado ao cargo de Ministro da Instrução o qual ocupou por pouco mais de um ano, quando veio a falecer, e neste breve período de tempo coordenou três profundas alterações no ensino brasileiro que foram o surgimento de escolas normais estaduais e das escolas públicas secundárias federais, não obrigatoriedade do ensino de religião, substituiu o ensino voltado para as Humanidades, tão a gosto das escolas religiosas e de Dom Pedro II, por um ensino voltado para formação científica, bem a gosto do positivismo. Como conseqüência, uma vez que os positivistas defendiam a Matemática como a mais importante das ciências

O ensino e pesquisa de Benjamin seguiam a orientação positivista e eram, então, mais o que hoje chamamos de Filosofia da Matemática do que Matemática, e como professor não deixou nenhum livro-texto que nos permita fazer uma avaliação direta e segura, contudo, parece ser bastante seguro afirmar que seu estilo didático era basicamente uma imitação do de Auguste Conte, o fundador do Positivismo e seu mestre, e o seu único trabalho escrito que nos deixou, foi um trabalho de pesquisa realizado em 1868 e intitulado Memória sobre o tema das grandezas negativas.


 

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