Bandeira do Maranhão

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             A terra que hoje se chama Maranhão foi, segundo algumas estórias e alguns historiadores, o primeiro território a ser conhecido pelos obstinados descobridores europeus. De qualquer forma, norteando toda a América Latina, os limites que contornam o Maranhão, tanto o de outrora como o atual, sempre estiveram como a dar boas vindas a quem viesse do mar.

 

  Assim passaram por aqui muitos e muitos, até que em abril de 1500 o português Pedro Álvares Cabral descobre oficialmente a nossa antepassada Vera Cruz, legitimando para todos os efeitos a posse de Portugal sobre o que viria a ser o Brasil. Mas os interesses e a atenção da Coroa Portuguesa se deslocavam para bem longe daqui, importando ao rei D. Manuel apenas o lucro sem qualquer investimento em suas colônias. E mesmo em se tratando de lucros, a colônia brasileira se resumia à sede da Corte, na Bahia.

O norte do Brasil permaneceu por muitos anos como terra de ninguém. Somente três décadas depois do descobrimento do Brasil D. João III resolveu dividi-lo em capitanias hereditárias. Muitas foram as expedições que tentaram colonizar a região que dava acesso ao tão badalado Peru, terra do Eldorado e de prometidas riquezas. Isto só se deu efetivamente em meados do século XVII. Depois de vir como olheiro da França e de confirmar a excelência das terras do norte brasileiro, Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardière volta com o companheiro François de Rasilly e Auneles, em 1612, estabelecendo no dia 8 de setembro, na ilha do Maranhão - chamada pelos índios de Upaon-Açu (Ilha Grande), o breve sonho da França Equinocial.

Apesar de lutarem por seus territórios, os índios do Nordeste chegaram a manter relacionamentos amistosos com os franceses. Daniel de la Touche e sua expedição composta de três naus - Regente, Charlotte e Saint´Anne - saíram da França com o compromisso documentado de tentar aproximação pacífica com os índios. É claro que não era exatamente um tiro no escuro, um certo lobby já havia sido providenciado entre viajantes franceses (como Jacques Riffault e Charles Des Vaux) e chefes indígenas com bom trânsito em várias aldeias. No Maranhão existiam índios do grupo tupi, como as tribos tupinambás, tabajaras, caetés - habitantes do litoral, e também índios do grupo tapuia, como os guajás, guajajaras, gamelas, barbados - nativos do interior. Da fusão entre estes dois grupos surgiram os tupinambaranas, muito comum na região amazônica.

 

      A chegada dos franceses na ilha do Maranhão foi o suficiente para que o norte saísse do anonimato na mesa de decisões da Coroa portuguesa. O forte de São Luís foi reconquistado pelos portugueses na famosa batalha de Guaxenduba, nome das terras em frente à ilha, entre os rios Munim e Anajatuba, em 3 de novembro de 1615. Os franceses estavam em maior número e mais bem equipados que Jerônimo de Albuquerque, sem falar dos índios tupinambás que os apoiavam. Apesar disso, a vitória foi lusitana. Para explicar o inexplicável, a sabedoria popular recorreu à Virgem Maria, chamando a dita expedição de milagrosa, por Ela ter transformado areia em pólvora para os portugueses.

Com os portugueses a coisa mudou de figura para os índios, que se viram às voltas com a escravidão, com a catequese dos jesuítas, com a mudança de seus hábitos e, enfim, com a aculturação. A partir daí a Coroa não deixou o norte à mingua, garantindo sua defesa contra piratas estrangeiros com edificação de fortalezas. Em 1616 havia no Maranhão 513 soldados, enquanto na Bahia, que era a sede do governo, havia 140. Os três principais fortes eram o Forte de São Luís, o de Sardinha e o de São José de Itapari.

Mesmo com todo esse aparato a ilha de São Luís não ficou imune aos invasores, sofrendo o ataque de holandeses, em 25 de novembro de 1641. Comandados pelo almirante Jon Cornellizon Lichthardt e o coronel Koin Anderson, desembarcaram no Desterro e tomaram a cidade. Depois consolidaram o domínio partindo para o interior, especialmente Tapuitapera (hoje Alcântara) e Itapecuru, região de mais intensa movimentação econômica.

Pouco tempo passaram os holandeses. Foram 27 meses de ocupação, mas o suficiente para deixarem a cidade destruída, igrejas saqueadas e fazendas incendiadas. No dia 28 de fevereiro de 1644 os holandeses debandaram depois de algumas guerrilhas e batalhas, fazendo do Capitão-Mor Teixeira de Melo o herói da reconquista. Nessa época a escravidão negra ainda era insignificante, sendo a mão-de-obra indígena a mola propulsora do desenvolvimento do Estado, gerando incontáveis conflitos tanto internos como nas Cortes européias. O pequeno desenvolvimento que houve então foi graças ao trabalho servil do índio.

Segundo historiadores, a vida econômica do Estado do Maranhão entre 1621 e 1684 foi um tanto complicada: tráfico de índios, pequena exportação de algodão e de alguns produtos da terra. Sem falar nas inúmeras proibições, desde a exploração do ferro, como a fabricação de tecidos de algodão, lã, linha ou seda e até a de exercer a profissão de ourives. Claro que havia os privilegiados, os favores especiais e os monopólios, ingredientes infalíveis para a revolta, temperada pela insatisfação geral.

Um desses monopólios foi a criação, em 1682, da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará - estopim da primeira revolta anticolonialista no Brasil que foi a insurreição maranhense liderada por Manuel Beckman. A Companhia detinha a exclusividade de todo tipo de comércio e não pagava impostos. Não por acaso o Governador de então, Francisco Sá de Menezes, também era sócio da Companhia. Apesar da compreensível indiferença da Coroa sobre o que ocorria no Maranhão, a situação chegou ao ponto da população passar fome e os abusos da Companhia tornaram-se insuportáveis. Assim estava detonada a revolução, sob a chefia de Manuel Beckman, lavrador bem-sucedido com experiência política como vereador. Em 23 de fevereiro de 1684 a revolução partiu do convento dos capuchinhos de Santo Antônio, destronou autoridades como o próprio governador, o capitão-mor e o comandante das forças militares, constituindo uma Junta Governativa e expulsando ainda os jesuítas, que monopolizavam o comércio de índios.

Beckman buscou adesão nas cidades de Tapuitapera (Alcântara) e Belém. Nada feito. Obteve apenas uma proposta de regalias do governador de Belém caso ele desistisse e rendesse obediência às autoridades de antes. Manuel Beckman fez o possível para legalizar seu feito, mas a revolução perdeu o entusiasmo inicial e fez-se o terreno para uma ação enérgica da Coroa. É histórica a frase de Beckman minutos antes de ser enforcado, no dia 2 de novembro de 1685: "pelo povo do Maranhão morro contente". Ele que teve todas as chances de empreender uma fuga diante do esfacelamento da revolução, morreu como mártir deixando a semente libertária que brotaria anos depois com a inconfidência mineira de Tiradentes (1789). Em tempo: apesar da morte de seu líder, a revolução atingiu seu objetivo máximo que era o de acabar com o monopólio no comércio.

Um século de poucos acontecimentos significativos marcam o Maranhão desse tempo, sempre subjugado pelos desmandos da Coroa. Em 1730, por exemplo, era recomendação expressa que ninguém mexesse com minas, cuidando somente da agricultura. E só em 1732 começou a circular no Maranhão o dinheiro em forma de moedas de ouro, prata e cobre, eliminando os primitivos novelos de fios de algodão e varas de pano. Já não é de agora que se ouve falar de reforma administrativa. Quando D. José (1750-1777) assume o reinado de Portugal e faz de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, o seu ministro, uma nova mentalidade se delineia, com objetivos de moralizar a administração pública do reinado de D. José. Ele foi o grande responsável pelas transformações progressistas na política sócio-econômica de Portugal com sua colônias.

O Estado do Maranhão, que até então era coligado ao Pará, tornou-se independente pela ordem-régia de 20 de agosto de 1772. De 1772 a 1779 Joaquim de Melo e Póvoas governou o Maranhão como estado independente. Como sobrinho de Pombal e por suas idéias motivado, Póvoas muito fez para que o Maranhão pudesse, nesses últimos anos de colônia, experimentar o progresso. A criação da Companhia Geral do Comércio mudou a situação, trazendo escravos africanos a preços acessíveis, apoiando a lavoura, construindo navios, financiando negócios, etc. O Maranhão passa a ocupar o quarto lugar no ranking das maiores províncias exportadoras, atrás da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Morre o Marquês de Pombal e com ele suas idéias, em 1782. Mas seu poder já declinara uma década antes, quando morrera seu protetor, o rei D. José. Em 1785, um alvará da Coroa extingue todas as fábricas e manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, linho e lã existentes no Brasil. O desenvolvimento econômico voltaria a surgir quando a corte portuguesa teve que se mudar para o Brasil, fugindo das tropas napoleônicas. Com a abertura dos portos ao comércio das nações, a liberdade outorgada às indústrias nacionais, a fundação de escolas e organização bancária, também o Maranhão pôde viver mais um período de prosperidade, em grande parte pelo cultivo do algodão.

 

 O Estado do Maranhão e o da Bahia foram os que mais receberam escravos da África. Para o Maranhão vieram os angolas, congos, fanti-ashanti, nagôs, gêges, entre outros. É interessante comentar um exemplo de empresária bem-sucedida depois de lutar contra todo tipo de adversidade: a negra Catarina Rosa Ferreira de Jesus, famosa Catarina Nina. Obstinada e competente, Catarina comprou sua liberdade e tornou-se rica comerciante de farinha, desfilando na Praia Grande ombro a ombro com os mais brancos fidalgos lusitanos.

Maranhão foi uma das últimas províncias a aceitar o grito de D.Pedro I no Ipiranga, aderindo à independência do Brasil quase um ano depois do histórico 8 de setembro de 1822. Talvez por ter permanecido muito esquecido pela Coroa, o Maranhão deu trabalho às tropas militares do Império. Em especial no interior do Estado, o movimento dos que queriam a independência do Maranhão era forte e só foi vencido com a chegada do pirata inglês Alexander Cochrane respondendo pela função de Primeiro Almirante da Armada Imperial. À força de alguns canhões Lord Cochrane proclamou a adesão da província do Maranhão ao Império do Brasil, no dia 28 de julho de 1823.

A tranqüilidade ainda estaria longe. Mais um vez a história do Maranhão ganharia página sangrenta com a Balaiada, rebelião armada que aconteceu em 1838. O movimento recebeu este nome por causa de seu líder, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, fabricante de balaios. Os ares de insatisfação, as brigas pelo poder e as confusas noções de liberdade foram os elementos desta equação, aliás, velha conhecida dos homens. Diz-se que a gota d'água foi uma tal "Lei dos Prefeitos", que dava poderes de juiz e delegado de polícia aos prefeitos. Dois partidos políticos eram notícia nessa época: os ditos liberais e republicanos, chamados de Bem-te-Vis, e os assumidos conservadores, chamados de Cabanos. Um incidente de estrada deflagra a Balaiada: Raimundo Vieira era vaqueiro de um chefe "bem-te-vi" e quando tangia o gado próximo a Vargem Grande teve parte de seus homens presos sob alegação de recrutamento militar. O subprefeito era "cabano" e isso motivou Raimundo a reagir com violência, invadindo a prisão da Vila da Manga e soltando seus boiadeiros. Logo os policiais viraram "balaios", e assim também todos os perseguidos, explorados, negros fugidos, etc. Um deles, o Chefe Cosme, intitulou-se "Tutor e Imperador da Liberdade Bem-Te-Vi", alardeando o apoio dos "bem-te-vis" ao movimento. Mas apoio mesmo fundamentado em conceitos ideológicos não houve nenhum. Os intelectuais de destaque nesse tempo preferiram extravazar seus ideais na tinta do papel a pegar nas armas. E tudo ficou por conta do instinto. Foi preciso um ano de lutas até que o Cel. Luís Alves de Lima e Silva pusesse fim à revolta. O Cel. enriqueceu seu currículo e ganhou o título de Barão de Caxias. Dom Cosme foi para a forca. Raimundo Vieira, o boiadeiro que tudo começou morreu a caminho do exílio em São Paulo. A Balaiada durou dois anos e mobilizou cerca de dez mil homens.

Por muitos anos o Maranhão se viu verdadeiramente emaranhado nas teias da política que insuflava o interior contra a capital, fazendeiros contra comerciantes e burocratas. Viveu dois grandes momentos de apogeu econômico no século XVIII: os Ciclos do Algodão e do Açúcar. Com uma economia e sociedade tipicamente coloniais, o Maranhão entrou em decadência com a abolição dos escravos, cujos braços sustentavam toda atividade produtiva do Estado. Quando a República chegou esse processo decadente se acentuou, despreparado que estava o Maranhão para os novos encargos republicanos.

Em 8 de setembro de 1612, nas terras habitadas de Ypaon-Açu, Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, acompanhado de François de Rasally, Senhor de Rasally e Aunelles, em nome da corte do rei menino Luís XIII da França, aportou nesta ilha quase à linha do Equador, com três navios e uma tripulação de 500 homens, onde edificou um forte e um ancoradouro.

Logo depois, mandou celebrar uma missa por ordem de Maria de Médici, mãe tutora do rei françês. Naquele momento surgia no Brasil uma capital fundada por franceses.

Em 1915, os portugueses então avançaram sobre o forte de São Luís e estenderam seu domínio na região. O forte foi rebatizado com o nome de São Felipe.

Com a província do Maranhão, Portugal garantia o bloqueio e a colonização no Norte deste vasto continente brasileiro.

Em 1641, os holandeses investiram na região e por três anos dominaram o território, quando então, após algumas batalhas, a vitória garantiu a Portugal o domínio definitivo do Maranhão.

Jeito simples e romântico de um povo de ver e viver a vida, expresso ora nos vivos bordados de seus azulejos, ora nos versos e cores de seu "Bumba-meu-Boi".   

 


Fonte: www.multirio.rj.gov.br